segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Precursores



Precursores




Surfando por aí a fora, encontrei a interessante notícia abaixo deste casal de precursores sobre o qual eu não fazia idéia que existia.
É interessante porque têm um projeto muito similar ao que eu tinha quando comecei a planejar um roteiro semelhante.
Talvez em breve, quem sabe, nos encontremos por aí em alguma quebrada do planeta.





Notícia: O ESTADO DE SÃO PAULO


14/03/2006-
CIDADES/METRÓPOLE | C5


Da Amazônia à China, sobre 4 rodas


Casal,
que já percorreu 300 mil km em 20 anos de estrada quer rodar o planeta com os
filhos




Pequenas distâncias nem passam pela
cabeça do casal Mica Costa Grande e Sofia Salgado. São dados a viagens longas,
que chamam, de travessias. Sempre por terra e algum mar, às vezes. Ele tem 44
anos, ela 40, e em 20 anos de estrada calculam ter percorrido 300mil
quilômetros. Começaram bem jovens, ainda estudantes de arte. O plano era ir à
índia, mas chegaram à China. No momento a família (é, agora já são quatro,
incluindo os dois filhos, Eloi, de 11, e Sáskia, de 9) dá a volta ao mundo,
projeto iniciado em 2004 e que tem um nome: Rito de Passagem.


O
motor home em que viajam, um caminhão militar adaptado, tem sala, dois quartos,
cozinha com geladeira, fogão, lavadora de pratos, microondas e até um forno para
ter pães quentinhos no café da manhã. Banheiro completo, máquina de lavar
roupas. O freezer fica embutido no sofá. Cada espaço é aproveitado, de modo que
na casa não falta nada. Nestes dias as crianças estão dormindo na sala porque o
quarto delas está uma bagunça. Até nisso a casa de Mica e Sofia é normal. "No
fundo, nunca saímos de casa. A nossa tem rodas e anda", diz ele. "Levamos a vida
com risco e sabor."




FOTO: FERNANDO
PEREIRA/AE


Sofia
tinha só 18 anos quando foram para a índia e cruzaram a China, pelo Tibet,
depois de 20 meses, numa Kombi. Ficaram 13 anos em Macau, uma ex-colônia
portuguesa no sul da China. Ela se formou em jornalismo, trabalhou na TV,
estudou mandarim em Pequim; ele virou fotógrafo e professor de arte. Macau foi a
base de muitas viagens pela Ásia. Depois, Europa.


O
projeto de volta ao mundo começou em 2000, já com os filhos a bordo. Eloi tinha
6 anos e Sáskia, 4. Na Alemanha resolveram trocar o jipe pelo caminhão e
voltaram para reformá-lo em Portugal. No Natal de 2004 partiram para as
Américas. "Percorremos toda aestrada que havia do ponto mais ao norte do Canadá,
na região de Quebec, até a mais ao sul, em Ushuaia, na Terra do Fogo argentina.
A viagem durou 365 dias até o Natal seguinte."


Em São
Paulo, chegaram há duas semanas, via Foz do Iguaçu. Agora planejam colocar as
crianças na escola e ficar em Paraty preparando a próxima etapa, do Amazonas à
Muralha da China passando pelo Alasca, Estreito de Bering e Sibéria. Querem
fazer um novo motor home, mais sofisticado, "o melhor do planeta", com apoio da
indústria brasileira. E também a pós-produção de um documentário com o material
que têm arquivado.


Sáskia
é uma pessoa de bem com a vida, que vive repetindo como é feliz. "Ela não gosta
da escola estática, gosta da dinâmica", explica o pai. O irmão reclama de alguns
lugares. E ambos, quando fazem amigos, não querem deixá-los. "Digo que a gente
só fez os amigos porque chegou até lá e é preciso partir para encontrar outros",
conta Mica.


Cerca
de 20% da viagem pagam com patrocínio; o restante sai do bolso. Gastam pouco, só
com combustível e comida, que fazem em casa. Colecionam lembranças, histórias.
No Canadá, pegaram 47 graus negativos. No Peru, atolaram o carro numa altitude
de 4.600 metros. Dormiram duas noites no carro com duas rodas levantadas. De vez
em quando, sentem vontade de parar. Mas depois de 6 meses já querem pegar a
estrada de novo.


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